A Cidade, da rua de Montebelo

domingo, 7 de junho de 2009

Do morro da Sé

A SRU elegeu, desde o início, o "quarteirão" como a unidade de intervenção na Baixa. Este, ao situar-se sensivelmente a meio na escala Homem-Cidade será, porventura, o conceito ideal (aliado ao de Bairro, i.e., um conjunto de quarteirões) para a discussão dos problemas da cidade - não só o Porto em particular, mas de qualquer cidade.
Ao longo dos últimos anos, as forças de revitalização do Porto criaram fenómenos e dinâmicas próprias e diversas cuja óptica de intervenção é sempre o quarteirão ou o bairro. É verdade que outras "vontades" de âmbito mais abrangente (nacional ou internacional) também contribuíram para esses fenómenos. Mas nunca o berço destes extravasou um punhado de ruas e todos foram gerados pelos embriões da mais fervilhante vida urbana.

Seja a Miguel Bombarda dos galeristas, o Piolho dos boémios, os Clérigos dos livreiros, Santa Catarina dos comerciantes, Passos Manuel dos espectáculos, Sá da Bandeira dos escritórios, a actividade da cidade encontra na sua concentração em ruas e quarteirões funcionais, como ao longo de toda a sua história, externalidades e mais-valias óbvias. Se já no século XIV caldeireiros, tanoeiros, açougues, madeireiros, confirmavam esta ideia ao disporem-se nas ruas que apadrinhavam, porque deverá ser agora diferente?
Não pretendo defender, com isto, a sujeição dos habitantes da cidade a um "plano" delineador da actividade privada por zonas, mas apenas demonstrar que a consideração da óptica "bairrista" é a mais adequada aos agentes que desenvolvem o seu trabalho na cidade e deve, por isso, ser tomada em consideração enquanto tal pelos decisores políticos.

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Aquando do levantamento feito aos edifícios do morro da Sé no início do seu processo de reabilitação, concluiu-se que, estando as intervenções sujeitas a normas (nacionais e da UNESCO) de protecção do património, seria impossível oferecer tipologias adequadas às necessidades das famílias de hoje em dia. Ou seja, enquanto noutras zonas relativamente mais modernas do centro histórico depois da intervenção nos edifícios gerar-se-iam apartamentos de tipologia a partir de T2, no caso do morro da Sé essa oferta limitar-se-ia principalmente a T0, T1 e ao formato Ateliê - incompatíveis, portanto, com uma família de mais de duas pessoas.

No entanto, notou-se que poderia haver interesse de outros agentes por estas tipologias, como é o caso dos estudantes e dos artistas, das famílias unipessoais, das famílias sem filhos, etc. Tendo em atenção os dois primeiros grupos, a SRU decidiu então estudar a criação de uma residência para estudantes e a construção de ateliês para jovens criadores, projecto que tem já financiamento comunitário aprovado.

Numa zona inóspita da cidade e de difícil acesso pela qual a iniciativa privada não tem mostrado grande interesse, cabe às autoridade locais intervir em primeiro lugar de forma a criar condições que suscitem tal interesse. As ruas estreitas, os prédios centenários, os achados arqueológicos são obstáculos a qualquer entidade privada que queira investir naquela zona, pelo que, antes de mais, deve a Câmara intervir ao nível infra-estrutural e na eficiente e rápida condução dos processos de licenciamento, entre outros.

Segundo, não havendo um "motivo director" da actividade da zona (já que, pela desertificação, não existe qualquer actividade), recai sobre a Câmara o poder de definir a visão estratégica para o local. A questão da legitimação para o fazer terá, desta vez, de ser colocada num plano secundário já que a urgência da intervenção e a falta de interesse privado assim o obriga. Talvez no futuro as coisas tomem um rumo diferente daquele que se propõe agora mas entretanto o melhor é seguir um caminho determinado, estando sempre atento às "forças revitalizadoras" que poderão surgir a qualquer momento.

Note-se que, apesar de tudo, a ideia de tornar a Sé num bairro preferencialmente de estudantes e artistas tem já subjacente alguma dinâmica neste âmbito, presente na zona envolvente: pela existência de estabelecimentos de ensino superior (Fac. Belas Artes, U. Moderna), por alguns ateliers já instalados e pelos investimentos complementares de outras entidades (o Palácio das Artes da Fundação da Juventude ou o Hard Club no Mercado Ferreira Borges são dois exemplos).

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Com o propósito de tornar a Sé num sítio acolhedor para estudantes e criadores de arte, a intervenção camarária deve, para além dos edifícios, passar integralmente pela reabilitação do espaço urbano de forma a tornar as velhinhas ruas e vielas mais arejadas, salubres e circuláveis. A videovigilância poderá ser um instrumento a recorrer (com prudência) caso os altos níveis de criminalidade se mantenham.
Sendo os acessos ao miolo do morro por si bastante complicados, esforços para o tornar acessível de fora não serão, com certeza, demais. Servida pelo metro, por autocarros especiais e pelo funicular dos Guindais, a ligação da parte alta da Batalha ao Infante pelo eléctrico histórico ofereceria aos habitantes da zona uma rápida ligação entre estas zonas separadas por quotas muito diferentes e seria uma boa oportunidade para um profundo rearranjo da maltratada Rua de Mousinho da Silveira e para uma nova (e derradeira) investida na Avenida da Ponte.

A propósito, pegando neste último ponto e tentando conjugá-lo com as soluções apresentadas para minorar o impacto das demolições do Corpo da Guarda durante o Estado Novo, concebemos que, tendo em conta esta visão para o morro da Sé, um plano definitivo para aquela área deverá ter em conta três "interesses" diferentes: o comercial (que, na minha opinião, deveria passar pela renovação do Mercado de S. Sebastião e pela criação de uma Feira da Vandoma diária e complementar ao mercado - para além de toda a oferta comercial adequada à satisfação das necessidades dos seus habitantes); o turístico (pelo aproveitamento da Casa dos 24 em conjugação com um "Museu da Cidade" tal como consta do projecto de Fernando Távora e a criação do Parque Urbano dos Guindais); o habitacional (pela criação de condições favoráveis à qualidade de vida de quem escolher a Sé para lá morar, como a já mencionada intervenção nos arruamentos, a instalação do eléctrico da Ribeira à Batalha e, eventualmente, a oferta de benefícios fiscais, entre outros).

É verdade que a criação de uma única residência universitária e de um punhado de ateliês (para além de alguns projectos privados como hotéis low cost / hostels) pode não garantir o efeito pretendido no longo prazo, ou seja, a revitalização sustentável daquela zona. A resolução do problema de desertificação do morro da Sé poderá ter que passar por uma medida mais ambiciosa. A ser adoptada a visão de um "bairro jovem", a instalação de uma nova unidade de ensino superior num dos edifícios administrativos existentes (com o do Governo Civil à cabeça) poderá, de facto, ser um bom motor de arranque do processo de revitalização. Contudo, apenas terá pernas para andar se houver alguma entidade interessada na ideia. E tendo em conta que a tendência tem sido o afastamento das faculdades do centro da cidade para semi-campus universitários, à partida não será fácil encontrar quem lá queira regressar. Pelo menos sem alguma contrapartida.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ode à rua e ao bairro

in Shakira Kurosawa

“Bairro dos livros no Porto só precisa de um empurrão” e “Modelo de pólo da Cinemateca ainda sem consenso”. Dois artigos publicados na edição de hoje do Público, relativos à cidade do Porto.

Gostaria de, partindo destes títulos, fazer uma breve análise sobre o papel do Estado e da Sociedade Civil na gestão de projectos (locais) de interesse público. Aliás, “alegado” interesse público no primeiro caso e “específico” no segundo – já por aqui poderíamos mesquinhar no que toca à legitimidade de intervenção, mas abordemos o assunto pelo aspecto essencialmente prático. (mais...)

domingo, 25 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O mercado e o parque

Apresentado programa preliminar para a reabilitação do Mercado do Bolhão

O Vereador do Urbanismo e Mobilidade, Lino Ferreira, apresentou hoje o programa preliminar para a reabilitação do Mercado do Bolhão, documento já entregue no IGESPAR.
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Como novidades, segundo Lino Ferreira, o programa prevê a possibilidade de criação de pequenos restaurantes, também eles tradicionais, e zonas de animação permanente, com música, arte, artesanato, feiras e exposições. "A Câmara quer transformar o Bolhão num mercado tradicional ao nível dos melhores da Europa", sublinhou o Vereador do Urbanismo.
(...)
Os diversos pisos de cada um dos dois torreões da ala sul do mercado passarão também a funcionar com uma única loja, em todos os seus pisos.
(...)
Na parte do comércio tradicional, o programa prevê que o Bolhão se transforme num centro de sabores e aromas tradicionais, baseado na excelência dos produtos, capaz de atrair cada vez mais consumidores qualificados, não se restringindo ao conceito de frescos.
(...)
Ainda de acordo com a proposta entregue ao IGESPAR, pretende-se que todo o interior do mercado tenha cobertura e uma alteração no formato das bancas, padronizadas e com melhores condições de salubridade e higiene.
(...)
Lino Ferreira revelou igualmente que a ideia de criar um parque de estacionamento subterrâneo, por baixo do edifício, "deverá ser completamente abandonada". Como razões para esta decisão está a dificuldade de intervenção, ao nível da escavação, por baixo das paredes do edifício, o interesse em manter o nível de investimento controlado e haver nas proximidades um parque (projectado) de estacionamento com grande capacidade (quarteirão de D. João I).
(...)
Perspectiva-se igualmente uma ligação directa do interior do mercado à estação de metro do Bolhão.


Parque Oriental vai tentar recriar um pedaço do paraíso perdido (Público 23/01/09)

Sidónio Pardal tem um sonho: "Vai ser muito agradável caminhar nas margens do rio Tinto, ao longo de latadas e alamedas frondosas de tílias, castanheiros e carvalhos, com o ruído da água criando um fundo musical."
(...)
O projecto, orçado, nesta primeira parcela, em cerca de um milhão de euros, já foi posto a concurso e, se tudo correr dentro dos prazos previstos, deverá ficar pronto ainda antes do final do ano, materializando os primeiros dez hectares de uma área verde mais ampla, que poderá chegar aos 50 hectares, cerca de metade da dimensão do Parque da Cidade da zona ocidental.
(...)
Nesta primeira fase, o Parque Oriental terá apenas quatro unidades paisagísticas tratadas e modeladas, que contarão com uma grande diversidade arbórea, uma vez que, ao contrário do que sucedeu no Parque da Cidade, a zona verde da parte nascente conta com pré-existências importantes, nomeadamente uma mata de sobreiros que será mantida e melhorada. Mas não disporá, para já, da relação com o rio Tinto que, segundo Sidónio Pardal, é parte fundamental e estruturante do projecto: "Nesta fase o rio ainda não vai ser tratado do ponto de vista da paisagem. Seria impossível. Primeiro é preciso despoluí-lo."
(...)
"Estes são equipamentos que demoram muitos anos a ser concluídos", relativiza o vereador do Ambiente da Câmara do Porto, Álvaro Castello-Branco, que não arrisca quando poderão avançar as fases subsequentes do projecto. "É um assunto a ser tratado pelos próximos executivos. Estamos em condições de avançar com esta parte, em terrenos que já são municipais, mas o resto do projecto depende da negociação com muitos proprietários diferentes", disse ao PÚBLICO.
(...)
Sidónio Pardal adianta que o Parque Oriental será "muito diferente" do Parque da Cidade. Na zona ocidental foi preciso criar uma paisagem a partir do nada, fazendo 3,5 milhões de metros cúbicos de aterros para criar relevos, mas, na parte oriental da cidade, o terreno é mais variado e há uma paisagem rural que o projectista quer usar como "referência inspiradora". "Não vou ter que transformar aquilo. Vai ser como um restauro da paisagem, pelo menos um restauro falso e aparente", descreve Pardal. Por comparação com o parque da fachada marítima, o Parque Oriental disporá de "uma paisagem mais dramática, mais interessante e mais rica", diz o autor do projecto, que conta, inclusive, com as pessoas que ainda ali residem como parte integrante do espírito do novo lugar, mantendo a "relação telúrica" da população com a sua memória. Por outro lado, a distância relativamente ao mar permitirá usar uma paleta muito ampla de espécies vegetais. Ainda assim, Sidónio Pardal diz que o exercício de criar este parque "não é fácil", uma vez que a zona inclui caminhos íngremes e coloca alguns problemas de funcionalidade.
(...)
"Se o Parque da Cidade tem a estrutura de uma sinfonia, o Parque Oriental será um concerto."

Arquitecto rejeita maniqueísmos face à construção na frente urbana

(...) "não é para ficar no meio do Marão ou do Caramulo, mas sim para fazer parte da cidade", implicando, por isso, um enquadramento urbano. "Mas não se trata de fazer construção dentro do parque, são coisas diferentes", esclarece.Assim, e tal como sucedia no projecto inicial do Parque da Cidade, também no desenho do Parque Oriental estão previstas frentes urbanas nos limites da área verde - nomeadamente vivendas e edifícios de seis andares, onde poderão vir a viver cerca de 4500 pessoas -, relativamente às quais, porém, a Câmara da Porto não quer, para já, comprometer-se. "Nesta primeira fase não haverá qualquer construção. Não precisamos dela [para financiar o projecto] e entendemos que deve ser o próximo executivo a tomar as decisões no que respeita às fases seguintes da obra", disse ao PÚBLICO o vereador responsável pelo pelouro do Ambiente, Álvaro Castello-Branco.


Sobre o mercado:
Apesar das boas intenções implícitas (neste que é o primeiro projecto global esboçado sobre o futuro do Bolhão), a Câmara poderá ter dificuldade em motivar a iniciativa privada a apostar neste nicho de mercado que são os produtos gourmet. Se é esta a orientação definitiva do executivo para o mercado - que considero positiva, apesar de ser algo rígida (poderia envolver outro tipo de actividades, como a produção/venda de artesanato, alimentos e produtos regionais, produtos vintage, comércio justo, produtos biológicos, etc, etc...), então é quase inevitável a transferência da gestão do mercado para uma entidade privada, que assuma a promoção dos lotes para aluguer e selecção dos locatários (segundo as indicações expressas acima). Caso não o faça, a edilidade corre o risco de incorrer em custos elevadíssimos num processo de marketing que exigirá uma dinâmica de gestão intensiva que a Câmara não pode nem deve suportar.
Será igualmente difícil a rentabilização do investimento a médio prazo, já que as actividades para as quais o novo mercado se orienta não são, de longe, as mais rentáveis. Só exigindo baixas rendas aos empresários deste ramo é que a sua actividade no mercado poderá ser viável.

Sobre o parque:
O passo dado é muito importante para a requalificão da parte oriental da cidade. Mas este poderá revelar-se um presente envenenado. Agora que o projecto passou finalmente do papel para a obra, não tarda a especulação imobiliária fará a parte que lhe compete de multiplicar os preços dos inúmeros terrenos que ainda falta expropriar por um factor considerável. Situação que obrigará a Câmara a ter que rever o faseamento da obra, eventualmente comprometendo parte ou mesmo a totalidade do projecto. É um erro deixar a decisão da continuação da obra para os "executivos futuros". A especulação é bem mais rápida que o ciclo eleitoral e não obedece a programas políticos.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O paradigma Távora

A obra do arquiteto Fernando Távora é testemunho de uma idéia de valorização do patrimônio cultural que atribui um novo valor criativo ao espaço construído, coexiste com a idéia de proteção e manifesta-se na continuidade da História, pela regeneração da vida, através do pensamento crítico e da obra."

in http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq095/arq095_01.asp

A obra e, sobretudo, a filosofia da arquitectura de Fernando Távora podem ser a chave para a requalificação da irremediável Avenida da Ponte, na Sé. Depois da devastação do casario centenário nos anos 40-50, com vista à abertura de uma via que fizesse a ligação entre o tabuleiro superior da ponte D. Luis e a Praça da Liberdade, a cicatriz urbana deixada por este repugnante processo nunca teve um solução à altura do desafio que impõe: reintegrar no contexto urbano uma larga porção de terreno em pleno centro histórico, respeitando o património histórico (e mundial) envolvente e evitando um processo de restauro dos edifícios pré-existentes (que se revelaria, além de caro, extremamente impreciso).

Vários arquitectos tentaram responder a esta proposta mas sem sucesso. Todos os projectos foram rejeitados até ao último, desenvolvido por Siza Vieira para a Porto 2001. Actualmente a Avenida encontra-se "lavada" pela mão de Souto Moura, que nela interveio por ocasião da construção da estação de metro de S. Bento. Todavia, ainda está para ser apresentado um projecto definitivo que devolva àquela parte da cidade, o lugar do Corpo da Guarda, o enquadramento urbano e a preservação da memória histórica que lhe é devida. É nesta óptica que a obra de Fernando Távora se assume paradigmática.

Fernando Távora rejeita a "A simulação do processo criativo original, refundindo o velho e novo numa nova unidade e numa nova forma que não permite mais distinguir fisicamente os dois momentos, do que resulta um falso histórico eticamente inaceitável.", (11) preferindo pelo contrário, um edifício construído inequivocamente no tempo atual mas que se orienta pela história e evoca o edifício desaparecido: 100 palmos de altura e uma sala do senado com teto em ouro, é a informação segura e suficiente que constitui a ligação entre presente e passado.

A recuperação da "Casa da Câmara" (vulgo "dos 24") veio dar o mote para discutir a presença da arquitectura moderna no centro histórico e a sua harmonização. Nota-se no edifício um esforço claro por tentar respeitar a envolvente, seja na volumetria, nos materiais usados, ou na estética. O granito era inevitável para evocar a memória de um edifício centenário, assente na primitiva muralha suéva, e de grande importância para a história da cidade.
E quanto à preservação da memória, é louvável a preocupação pela recolha de símbolos que de forma directa ou indirecta se tenham relacionado com o local:

À semelhança da metodologia adotada na Quinta da Conceição, encontra o significado da intervenção numa idéia de Memorial - neste caso da Cidade e do Poder Municipal - que pudesse reunir no mesmo espaço elementos que a História dispersou: Vimara Peres, a estátua de O Porto, um brasão dos antigos Paços do Concelho, e documentos importantes da história da cidade.

Contudo, é de lamentar o actual estado em que este excelente exemplar de boa reabilitação urbana se encontra.

Fernando Távora conhece a fundo as circunstâncias que determinam a abertura da Avenida da Ponte e a abertura do Terreiro da Sé. Aliás o próprio Fernando Távora na década de 50, iria desenvolver um estudo urbanístico para a Avenida da Ponte, onde procurava minimizar os efeitos negativos produzidos no tecido urbano.

Mais do que afirmar uma obra, Fernando Távora parece estar interessado em implementar uma metodologia de preparação dos instrumentos de um processo de restauração urbana, capaz de sensibilizar Álvaro Siza quando este propõe, em 2001, o Projeto de Requalificação da Avenida D. Afonso Henriques (fig.19), implantado sobre parte do vazio da Avenida da Ponte que resulta das demolições efetuadas na década de 50 do século XX, que se seguiram às Comemorações do Duplo Centenário. Não uma restauração urbana que busca as formas originais perdidas, mas uma (re)organização do espaço que pretende minimizar as ausências e fixar o essencial.

O projecto de Siza Vieira para a Avenida da Ponte (1) não respeita, na minha opinião, os requisitos essenciais para uma boa intervenção na zona histórica portuense. A série de blocos com diferentes volumetrias, entre a avenida e a rua de S. Sebastião, não mantém a preocupação demonstrada por Távora em inspirar-se na história do local para, a partir daí, criar o novo. Além disso, requer-se uma dimensão mais comedida nos edifícios novos de forma a não emuralhar o casario da Sé, bem como uma organização que garanta maior fluidez e mobilidade entre a avenida e os quarteirões interiores.

Sendo impossível elaborar projectos individuais para cada edifício destruído (não se sabe o número total, quanto mais a sua aparência e história), talvez a melhor solução seja a escolha selectiva de uns tantos "edifícios âncora", icónicos e evocativos da memória local, que sejam simultaneamente funcionais para os residentes da Sé e atractores de população para aquela zona deprimida da cidade. Um plano urbanístico para a avenida será talvez mais bem conseguido se optar pela consolidação do novo com o antígo através da escolha de espaços verdes cuidadosamente localizados. Desta forma, o estudo feito por Távora, em 1955 (2), "onde [este] procura minimizar os efeitos negativos produzidos" pela abertura da avenida, por atender a estas considerações, poderá ser um bom ponto de partida e de referência para uma nova, e espera-se que final, investida num problema que já se arrasta há mais de 50 anos.


(1) (2)

Mais informação sobre este assunto no livro "A Ponte e a Avenida", edição da Porto 2001, onde espero recolher mais informação, que aqui posteriormente publicarei.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Germano Silva - JN 13/12

"Quando Lordelo do Ouro ficava longe da cidade"

Crónica semanal de Germano Silva no JN sobre a história da cidade do Porto.
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sábado, 13 de dezembro de 2008

‘Tá-se bem’ na Baixa

Durante cinco dias a Baixa portuense vai estar em festa. Fomos conhecer lugares que ainda vão dar muito que falar
por Susana Silva Oliveira TEXTO e Anabela Rosas Trindade FOTOS - 26 Mai 2008 (VISÃO)

"...Finalmente, a Baixa do Porto está a mexer. Cerca de 40 prédios estão em fase de recuperação na Mouzinho da Silveira e nas ruas em redor.
Foi, aliás, esta a zona eleita pelo empresário Agostinho Maia, para inaugurar, dentro de aproximadamente um mês, um espaço multidisciplinar, com restaurante, bar e sala de concertos.
O edifício de três pisos, que já albergou uma instituição bancária, a meio caminho entre a Estação de S. Bento e o Mercado Ferreira Borges, vai receber a Favela Chic. «O prédio é fantástico e, em breve, será ocupado por uma família pobre», brinca Agostinho Maia. O projecto surge em resposta «à falta de um espaço para grupos, onde se pode jantar, beber um copo e dar um pezinho de dança». Sem sair do lugar. «A decoração faz lembrar o ambiente de uma favela, com mesas e cadeiras diferentes umas das outras», conta o empresário. Na sala principal, murais em relevo evocam imagens da favela e num dos corredores será recriada uma típica rua do Rio de Janeiro. «É preciso dar nova vida ao centro histórico», diz Agostinho Maia. (...)"

O edifício por fora está excelente, sofreu um processo de reabilitação criterioso e de alta qualidade. O conceito apresentado no texto também é promissor. Uma nova aposta criativa que só mostra quão cosmopolita o Porto sabe (e quer) ser.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Projectos de arquitectura








Legenda (descrição; projecto de arquitectura; estado):

1-Sede da Vodafone no Porto (Av. da Boavista); Arq. José António Barbosa e Pedro Guimarães; em construção
2-Sede da EDP na região Norte (Av. da Boavista); Arq. Ginestal Machado; em construção
3- Reabilitação do Mercado Ferreira Borges; Arq. Francisco Aires Mateus; em fase de aprovação do projecto
4- Novas instalações do ICBAS e Fac. de Farmácia da UP (na antiga Reitoria da UP); Arq. José Manuel Soares; estado: projecto aprovado
5- Reabilitação da rua Miguel Bombarda; Arq. Filipe Oliveira Dias; em construção
6- Remodelação da Estação de Campanhã; desconhecido; parcialmente construído
7- Kasa da Praia - Bar/Discoteca (praia de Matosinhos); Arq. Filipe Oliveira Dias; projecto em fase de aprovação
8- Terminal de cruzeiros do Porto de Leixões; Arq. Luís Pedro Silva; projecto aprovado
9- Sea Life Center (rotunda do Castelo do Queijo); Arq. Pedro Balonas; em construção


Outros:

Edifício LOOP (habitação)
Concurso de Requalificação da Zona Ribeirinha - Projectos a concurso
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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Apresentando... o (nosso) novo Bolhão

Um post meu de à dois anos, publicado aqui:

"Duas propostas em cima da mesa, duas visões para um novo Bolhão. É chegada a altura de iniciar a discussão de uma terceira, onde os cidadãos do Porto definirão o futuro que desejam para seu antigo mercado. Tal discussão, que se pretende alargada, poderá revelar-se importante no grau de exigência das negociações, permitindo ao júri do concurso conhecer a opinião daqueles a quem se destinará todo o projecto de revitalização do mercado. No fim de contas, será a aderência da população ao novo mercado que decidirá a sustentabilidade a médio-longo prazo do projecto.

Coloca-se perante o público o desafio de ver definidos os seus planos e ambições para tão fulcral órgão da Baixa, antes mesmo de escolherem, entre as propostas apresentadas, a de sua preferência. Convém assim levantar questões tão pertinentes como a vontade de ver transformado o mercado tradicional num grande supermercado com valências de shopping; ou ainda até que ponto deverão as intervenções, dentro e fora do edifício, sacrificar o tradicionalismo do mercado de modo a adaptá-lo às exigências de conforto dos novos consumidores.

Questões como estas poderão passar à margem das negociações se os cidadãos, por via dos seus representantes eleitos, não exigirem o cumprimento de certas condições que consideram essenciais para o bom acolhimento do futuro mercado pela população."

Passado tanto tempo e tentada uma fórmula - falhada, mas ainda assim construtiva - de reabilitação do Mercado do Bolhão, achei pertinente voltar a publicar este post. As minhas preocupações de que surja uma proposta (venha de onde vier) que concilie harmoniosamente a necessidade de sustentabilidade económica do mercado com a preservação (e inovação) da sua tradição histórico-cultural, continuam bem vivas. Não altero, por isso, um ponto ao que escrevi na altura.

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domingo, 12 de outubro de 2008

A Cinemateca, para onde vai?

Público: "... a mesma fonte garantiu que não está ainda decidido onde ficará instalado o equipamento, que não se limitará a ser um mero pólo da Cinemateca Portuguesa, devendo dispor de uma direcção própria. Ao que o PÚBLICO apurou, porém, a Casa das Artes, projectada por Eduardo Souto Moura e encerrada há vários anos, continua a ser a hipótese mais forte para a instalação do pólo nortenho da Cinemateca, tendo a cabine de projecção sido recentemente objecto de uma pequena intervenção para esse fim."

A Casa das Artes é, à primeira vista, a escolha mais consensual e menos cara. Porém, se o Ministério quer que a Cinemateca se torne um pólo de cultura da cidade, instalá-la na zona do Campo Alegre pode revelar-se um grande erro. Devia, em vez, ser procurado um local na Baixa, de preferência na zona compreendida entre o Carmo e a Batalha, onde estão já criadas as condições (formais e informais - a maior proximidade com o público alvo, que frequenta esta zona, por exemplo) para a instalação e bom funcionamento desta instituição (a zona do Campo Alegre falha em muitos aspectos, por exemplo, na dispersão de equipamentos culturais complementares ou ao nível da falta de acessibilidades; o pólo universitário é, todavia, um ponto a favor desta localização). Encontrar um espaço na Baixa também não se deve tornar difícil; basta pegar na vasta lista de cinemas e teatros abandonados do Porto, e tentar negociar, eventualmente em conjunto com a Câmara, a sua compra por um preço adequado.

Dois exemplos de antigos cinemas, agora convertidos em bingos: o Cinema Trindade e o Cinema Olympia. Ambos se localizam em zonas que integram o "circuito informal" de cultura do Porto: o primeiro, junto da movimentada estação da Trindade e próximo da alternativamente famosa Rua do Almada; o segundo (onde recairia a minha escolha, se tivesse voto na matéria), situado entre a "broadway" portuense (pela concentração de salas de espéctaculo) que é a Rua de Passos Manuel e a rua mais movimentada da cidade, a de Sta Catarina; integraria o "clube" cultural (a nível de cooperação, divulgação e visibilidade) composto pelos outros equipamentos da zona - nomeadamente, na área do cinema, com o Passos Manuel, o Batalha (com a Sála Bebé, gerida pelo Cineclube do Porto), o Sá da Bandeira e o Rivoli (a casa do Fantas), ou mesmo nas outras áreas de expressão artística (Coliseu, Maus Hábitos, TNSJ, Pitch, Teatro do Bolhão, etc).

Cinemas Olympia e Trindade

Quanto ao prazo, fica a promessa do Sr. Ministro: "... José António Pinto Ribeiro, reafirmou a intenção de abrir um espaço de exibição e exposição de cinema na cidade do Porto, adiantando que as obras necessárias à concretização deste projecto deverão avançar durante o ano de 2009. "Há projecto, há dinheiro alocado, agora é fazer as obras", disse o governante, na semana passada, à margem da cerimónia que assinalou o 50º aniversário da Cinemateca Portuguesa."

PS: Entretanto, é inaugurado no próximo dia 15 de Novembro o renovado Teatro Constantino Nery, que contará na sua programação com uma secção dedicada ao cinema independente. É boa a intenção da Câmara de Matosinhos (a localização, sobretudo, foi muito bem escolhida), mas receio que a despesa que será apresentada aos munícipes pelo funcionamento do Teatro deixe muita gente a questionar-se sobre as prioridades políticas da cidade... A ver vamos. Servirá, ainda assim, para testar a adesão do público ao hábito de ver cinema fora dos centros comerciais o que, por si só, é de louvar.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A nova Praça do Anjo


Soube-se hoje que o projecto que a Bragaparques apresentou para recuperação da Praça de Lisboa já obteve aprovação definitiva por parte do Igespar, podendo assim avançar a requalificação deste espaço, cedido à empresa pela Câmara do Porto por um prazo de 50 anos. Público

O projecto do Arq. Pedro Balonas prevê que a praça venha a ter uma cobertura ondulada de betão e vidro destinada à prática de "actividade lúdicas" (de certa forma para tentar chamar os skaters, praticantes de bmx, e outros, à semelhança do que acontece na praça da Casa da Música). Prevê também que as fachadas sejam revestidas a vidro de forma a permitir uma maior visibilidade a partir do exterior.

Sabe-se que será cedida uma parte da nova praça à Federação Académica do Porto para que lá possa, finalmente, nascer o Pólo Zero, tão reclamado pelos estudantes, e que será gerido por esta associação. Também a Byblos prevê criar aqui a maior livraria do país, que será a loja âncora deste projecto, situado mesmo em frente à histórica livraria Lello. No topo será ainda construído um restaurante panorâmico voltado em arco para os Clérigos e para a Rua dos Carmelitas, e que contará também com uma esplanada no novo recinto.

Muito foi discutido acerca do concurso público que a Câmara promoveu para cedência do direito de superfície da praça. O consórcio liderado pela Bragaparques foi o único que se mostrou interessado, o que dificultou o trabalho da Câmara ao nível das negociações dos direitos e deveres do concessionário. O próprio vereador do Urbanismo chegou a dizer que esta proposta não reunia as características previstas pela Câmara e que, sendo o caso de concorrente único, esta teria maior dificuldade em fazer valer as suas imposições junto da empresa. Ainda assim, a proposta apresentada cumpria as condições impostas pelo concurso e, depois de duras negociações, lá se chegou a um acordo razoável para ambas as partes (ainda que não o melhor para a Câmara a nível financeiro). Aprovado o projecto de arquitectura pelo Igespar, tudo aponta para que possam finalmente avançar as obras no local, previstas para o ínicio de 2009

Sobre o projecto:

Quanto à arquitectura, a ideia do pavimento ondulado não será nova na cidade, já que, a par da nova praça, existirão com as mesmas características, na altura da sua conclusão, mais dois espaços relativamente próximos: a praça envolvente à Casa da Música e a praça em frente ao Centro Comercial Itália (na rua Júlio Dinis, em adiantado estado de obra). Refere-se na proposta que a praça será uma continuidade natural do Jardim da Cordoaria; porém, pelas imagens do projecto, não se prevê uma única árvore para o local ou qualquer outro tipo de vegetação. Numa fase inicial ainda se pôs a hipótese de espalhar oliveiras pelo espaço em homenagem ao antigo aspecto e nome que aquela zona da cidade tinha, conhecida como Campo do Olival (posteriormente Praça do Anjo e finalmente Praça de Lisboa), mas essa ideia foi prontamente abandonada.

Espera-se que a nova praça seja um ponto de passagem diário de milhares de pessoas, visto estar situada num local de encontro de três importantes fluxos de movimento. São eles provenientes: da Praça da Liberdade/S. Bento através da Rua dos Clérigos; da zona envolvente ao Jardim da Cordoaria, com a Reitoria da UP, o ICBAS e o Hospital de S. António como principais "ímanes" de atracção de população; da parte "alta" da cidade, através das ruas de José Falcão, Galeria de Paris, Cândido dos Reis e Conde de Vizela. Isto apenas durante o dia, já que à noite altera-se esta dinâmica e os principais pólos de actividade concentram-se no Piolho e bares envolventes, na Rua Galeria de Paris e Cândido dos Reis, na Rua de Cedofeita e nas ruas próximas a esta.

A nova praça tem de se estabelecer como o ponto de encontro desta dinâmica para que (principalmente à noite) não corra o risco de voltar a ser rotulada como um espaço "a evitar", com todos os problemas de segurança e degradação física que daí decorrem. O desnível da praça em relação às ruas envolventes, principalmente em relação à Rua dos Carmelitas, pode contribuir muito para isto, sobretudo se não forem abertos canais de ligação amplos e arejados entre a cota da rua e a superfície da praça.




(imagens do projecto inicialmente apresentado, ao qual o Igespar impôs ligeiras alterações)

Já quanto aos projectos comerciais para aquele sítio, é de louvar a aposta da Byblos na criação da maior livraria do país. Numa zona que concentra grande parte da actividade livreira na cidade, entre alfarrabistas, livrarias temáticas e livrarias técnicas, faz falta uma grande superfície que sirva como porta de entrada e que publicite a dinâmica que a zona tem neste sector particular. A apresentação da zona dos Clérigos como zona especializada no mercado do livro, será muito mais facilmente divulgada ao grande público com um grande investimento como este à cabeça. Criar-se-á mais uma área "demarcada" de comércio na cidade, como acontece com enorme sucesso na zona envolvente à Rua Miguel Bombarda ou na Rua do Almada (no mercado das galerias de arte e do comércio alternativo respectivamente).

Quanto ao Pólo Zero, uma antiga reinvidicação da FAP, espera-se que seja um projecto gerido pela associação estudantil, no mínimo com originalidade (já que ainda ninguém percebeu para o que é que o espaço servirá exactamente). Pretende-se que sirva como o ponto de encontro dos estudantes universitários do Porto, aliando o estudo à diversão, cultura e desporto. Caberá tudo isso neste espaço? Isso é o que a FAP vai decidir, espera-se que, em harmonia com a estratégia que for sendo seguida para a praça (e para a qual o Pólo Zero também contribuirá decisivamente). Uma das apostas que a FAP poderá considerar, será a organização de concertos de bandas não conhecidas do grande público (ou, por exemplo, um festival de bandas de garagem, tal como já acontece em várias faculdades) no espaço da praça que, pela sua fisionomia ondulada é ideal para a realização destes eventos.

Finalmente, a razão do título deste post. Seria um gesto de reconciliação com a história da e com as tradições orais da cidade por parte da Câmara, que o a praça voltasse a ser chamada pelo nome que tinha quando se tornou num dos principais centros de interesse do Porto. A antiga Praça do Anjo que acolheu o imensamente concorrido mercado do Anjo, passou a chamar-se com o nome da capital quando o mercado perdeu a influência que tinha. O nome "de Lisboa" acompanhou-a durante o período de decadêndia do Clerigushopping até aos dias de hoje, em que se apresenta como uma ferida urbanística no coração da cidade.
A mudança do nome poderia ser até uma boa estratégia de marketing, já que a associação que o público faz com a Praça de Lisboa é sobretudo negativa e relacionada com degradação e vandalismo, e com problemas de insegurança e consumo de drogas.

A relembrar o antiga toponímia da praça estava, até à uns tempos, uma estátua do grande escultor José Rodrigues (em baixo). Foi encontrada totalmente destruída, não à muito tempo; era a única coisa digna de se ver na praça. Actualmente, a Praça de Lisboa é simplesmente lixo e destruição, e uma vergonha para a cidade, nada mais.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Um crime

Não haja dúvida, um dos maiores cometidos contra a cidade do Porto e o seu património, que quarenta anos depois viria a ser proclamado da Humanidade. Ocorreu em 1952 e teve como pretexto a abertura da (agora quase inútil) Avenida da Ponte. Esta via veio permitir o melhor escoamento do transito rodoviário entre a Baixa e o tabuleiro superior da ponte D. Luís.

Acontece, que entre estes dois pontos existia um aglomerado urbano com pelo menos alguns séculos de existência e com uma importância histórica, cultural e paisagística incalculável. Este, muito mais que outros atentados contra a cidade, é, ainda hoje, o crime mais abominável praticado contra o património do Porto, pela inavaliabilidade dos seus enormes custos. Deve por isso estar sempre presente na memória das suas gentes.



Imagens:
1 - O que existia, visto a partir da Praça Almeida Garrett. A ligação entre a Sé e a Praça ainda se fazia através da Rua do Corpo da Guarda
2 - O que desapareceu: com a abertura da Avenida da Ponte (figura maior a vermelho); com a abertura do Terreiro da Sé (figura menor a vermelho)
3 - Fase final da demolição do casario junto a S. Bento
4 - Processo de demolição do casario junto à Sé. Incluído no plano de "reestruturação" da zona estava também a abertura de um largo em frente à Sé - actual Terreiro da Sé.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Da cidade

O Porto fez-se nas ruas, nas vielas e nas travessas, nas praças e nos largos, nas avenidas, nos jardins, nas pontes. Fez-se nas gentes e desfez-se no rio. O Porto é isto que temos, onde vivemos e onde trabalhamos. É assim que o vemos e que o pensamos.
Pensar a cidade é simplesmente fazê-la. Se ela se fez nas ruas, nas vielas, nas travessas, nas.., então eu faço-a aqui.
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