domingo, 12 de outubro de 2008

A Cinemateca, para onde vai?

Público: "... a mesma fonte garantiu que não está ainda decidido onde ficará instalado o equipamento, que não se limitará a ser um mero pólo da Cinemateca Portuguesa, devendo dispor de uma direcção própria. Ao que o PÚBLICO apurou, porém, a Casa das Artes, projectada por Eduardo Souto Moura e encerrada há vários anos, continua a ser a hipótese mais forte para a instalação do pólo nortenho da Cinemateca, tendo a cabine de projecção sido recentemente objecto de uma pequena intervenção para esse fim."

A Casa das Artes é, à primeira vista, a escolha mais consensual e menos cara. Porém, se o Ministério quer que a Cinemateca se torne um pólo de cultura da cidade, instalá-la na zona do Campo Alegre pode revelar-se um grande erro. Devia, em vez, ser procurado um local na Baixa, de preferência na zona compreendida entre o Carmo e a Batalha, onde estão já criadas as condições (formais e informais - a maior proximidade com o público alvo, que frequenta esta zona, por exemplo) para a instalação e bom funcionamento desta instituição (a zona do Campo Alegre falha em muitos aspectos, por exemplo, na dispersão de equipamentos culturais complementares ou ao nível da falta de acessibilidades; o pólo universitário é, todavia, um ponto a favor desta localização). Encontrar um espaço na Baixa também não se deve tornar difícil; basta pegar na vasta lista de cinemas e teatros abandonados do Porto, e tentar negociar, eventualmente em conjunto com a Câmara, a sua compra por um preço adequado.

Dois exemplos de antigos cinemas, agora convertidos em bingos: o Cinema Trindade e o Cinema Olympia. Ambos se localizam em zonas que integram o "circuito informal" de cultura do Porto: o primeiro, junto da movimentada estação da Trindade e próximo da alternativamente famosa Rua do Almada; o segundo (onde recairia a minha escolha, se tivesse voto na matéria), situado entre a "broadway" portuense (pela concentração de salas de espéctaculo) que é a Rua de Passos Manuel e a rua mais movimentada da cidade, a de Sta Catarina; integraria o "clube" cultural (a nível de cooperação, divulgação e visibilidade) composto pelos outros equipamentos da zona - nomeadamente, na área do cinema, com o Passos Manuel, o Batalha (com a Sála Bebé, gerida pelo Cineclube do Porto), o Sá da Bandeira e o Rivoli (a casa do Fantas), ou mesmo nas outras áreas de expressão artística (Coliseu, Maus Hábitos, TNSJ, Pitch, Teatro do Bolhão, etc).

Cinemas Olympia e Trindade

Quanto ao prazo, fica a promessa do Sr. Ministro: "... José António Pinto Ribeiro, reafirmou a intenção de abrir um espaço de exibição e exposição de cinema na cidade do Porto, adiantando que as obras necessárias à concretização deste projecto deverão avançar durante o ano de 2009. "Há projecto, há dinheiro alocado, agora é fazer as obras", disse o governante, na semana passada, à margem da cerimónia que assinalou o 50º aniversário da Cinemateca Portuguesa."

PS: Entretanto, é inaugurado no próximo dia 15 de Novembro o renovado Teatro Constantino Nery, que contará na sua programação com uma secção dedicada ao cinema independente. É boa a intenção da Câmara de Matosinhos (a localização, sobretudo, foi muito bem escolhida), mas receio que a despesa que será apresentada aos munícipes pelo funcionamento do Teatro deixe muita gente a questionar-se sobre as prioridades políticas da cidade... A ver vamos. Servirá, ainda assim, para testar a adesão do público ao hábito de ver cinema fora dos centros comerciais o que, por si só, é de louvar.
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