segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Germano Silva - JN 13/12
Crónica semanal de Germano Silva no JN sobre a história da cidade do Porto.
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sábado, 13 de dezembro de 2008
‘Tá-se bem’ na Baixa
por Susana Silva Oliveira TEXTO e Anabela Rosas Trindade FOTOS - 26 Mai 2008 (VISÃO)
"...Finalmente, a Baixa do Porto está a mexer. Cerca de 40 prédios estão em fase de recuperação na Mouzinho da Silveira e nas ruas em redor.
Foi, aliás, esta a zona eleita pelo empresário Agostinho Maia, para inaugurar, dentro de aproximadamente um mês, um espaço multidisciplinar, com restaurante, bar e sala de concertos.
O edifício de três pisos, que já albergou uma instituição bancária, a meio caminho entre a Estação de S. Bento e o Mercado Ferreira Borges, vai receber a Favela Chic. «O prédio é fantástico e, em breve, será ocupado por uma família pobre», brinca Agostinho Maia. O projecto surge em resposta «à falta de um espaço para grupos, onde se pode jantar, beber um copo e dar um pezinho de dança». Sem sair do lugar. «A decoração faz lembrar o ambiente de uma favela, com mesas e cadeiras diferentes umas das outras», conta o empresário. Na sala principal, murais em relevo evocam imagens da favela e num dos corredores será recriada uma típica rua do Rio de Janeiro. «É preciso dar nova vida ao centro histórico», diz Agostinho Maia. (...)"
O edifício por fora está excelente, sofreu um processo de reabilitação criterioso e de alta qualidade. O conceito apresentado no texto também é promissor. Uma nova aposta criativa que só mostra quão cosmopolita o Porto sabe (e quer) ser.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Projectos de arquitectura


Legenda (descrição; projecto de arquitectura; estado):
1-Sede da Vodafone no Porto (Av. da Boavista); Arq. José António Barbosa e Pedro Guimarães; em construção
2-Sede da EDP na região Norte (Av. da Boavista); Arq. Ginestal Machado; em construção
3- Reabilitação do Mercado Ferreira Borges; Arq. Francisco Aires Mateus; em fase de aprovação do projecto
4- Novas instalações do ICBAS e Fac. de Farmácia da UP (na antiga Reitoria da UP); Arq. José Manuel Soares; estado: projecto aprovado
5- Reabilitação da rua Miguel Bombarda; Arq. Filipe Oliveira Dias; em construção
6- Remodelação da Estação de Campanhã; desconhecido; parcialmente construído
7- Kasa da Praia - Bar/Discoteca (praia de Matosinhos); Arq. Filipe Oliveira Dias; projecto em fase de aprovação
8- Terminal de cruzeiros do Porto de Leixões; Arq. Luís Pedro Silva; projecto aprovado
9- Sea Life Center (rotunda do Castelo do Queijo); Arq. Pedro Balonas; em construção
Outros:
Edifício LOOP (habitação)
Concurso de Requalificação da Zona Ribeirinha - Projectos a concurso
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Apresentando... o (nosso) novo Bolhão
"Duas propostas em cima da mesa, duas visões para um novo Bolhão. É chegada a altura de iniciar a discussão de uma terceira, onde os cidadãos do Porto definirão o futuro que desejam para seu antigo mercado. Tal discussão, que se pretende alargada, poderá revelar-se importante no grau de exigência das negociações, permitindo ao júri do concurso conhecer a opinião daqueles a quem se destinará todo o projecto de revitalização do mercado. No fim de contas, será a aderência da população ao novo mercado que decidirá a sustentabilidade a médio-longo prazo do projecto.
Coloca-se perante o público o desafio de ver definidos os seus planos e ambições para tão fulcral órgão da Baixa, antes mesmo de escolherem, entre as propostas apresentadas, a de sua preferência. Convém assim levantar questões tão pertinentes como a vontade de ver transformado o mercado tradicional num grande supermercado com valências de shopping; ou ainda até que ponto deverão as intervenções, dentro e fora do edifício, sacrificar o tradicionalismo do mercado de modo a adaptá-lo às exigências de conforto dos novos consumidores.
Questões como estas poderão passar à margem das negociações se os cidadãos, por via dos seus representantes eleitos, não exigirem o cumprimento de certas condições que consideram essenciais para o bom acolhimento do futuro mercado pela população."
Passado tanto tempo e tentada uma fórmula - falhada, mas ainda assim construtiva - de reabilitação do Mercado do Bolhão, achei pertinente voltar a publicar este post. As minhas preocupações de que surja uma proposta (venha de onde vier) que concilie harmoniosamente a necessidade de sustentabilidade económica do mercado com a preservação (e inovação) da sua tradição histórico-cultural, continuam bem vivas. Não altero, por isso, um ponto ao que escrevi na altura.
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domingo, 12 de outubro de 2008
A Cinemateca, para onde vai?
A Casa das Artes é, à primeira vista, a escolha mais consensual e menos cara. Porém, se o Ministério quer que a Cinemateca se torne um pólo de cultura da cidade, instalá-la na zona do Campo Alegre pode revelar-se um grande erro. Devia, em vez, ser procurado um local na Baixa, de preferência na zona compreendida entre o Carmo e a Batalha, onde estão já criadas as condições (formais e informais - a maior proximidade com o público alvo, que frequenta esta zona, por exemplo) para a instalação e bom funcionamento desta instituição (a zona do Campo Alegre falha em muitos aspectos, por exemplo, na dispersão de equipamentos culturais complementares ou ao nível da falta de acessibilidades; o pólo universitário é, todavia, um ponto a favor desta localização). Encontrar um espaço na Baixa também não se deve tornar difícil; basta pegar na vasta lista de cinemas e teatros abandonados do Porto, e tentar negociar, eventualmente em conjunto com a Câmara, a sua compra por um preço adequado.
Dois exemplos de antigos cinemas, agora convertidos em bingos: o Cinema Trindade e o Cinema Olympia. Ambos se localizam em zonas que integram o "circuito informal" de cultura do Porto: o primeiro, junto da movimentada estação da Trindade e próximo da alternativamente famosa Rua do Almada; o segundo (onde recairia a minha escolha, se tivesse voto na matéria), situado entre a "broadway" portuense (pela concentração de salas de espéctaculo) que é a Rua de Passos Manuel e a rua mais movimentada da cidade, a de Sta Catarina; integraria o "clube" cultural (a nível de cooperação, divulgação e visibilidade) composto pelos outros equipamentos da zona - nomeadamente, na área do cinema, com o Passos Manuel, o Batalha (com a Sála Bebé, gerida pelo Cineclube do Porto), o Sá da Bandeira e o Rivoli (a casa do Fantas), ou mesmo nas outras áreas de expressão artística (Coliseu, Maus Hábitos, TNSJ, Pitch, Teatro do Bolhão, etc).
PS: Entretanto, é inaugurado no próximo dia 15 de Novembro o renovado Teatro Constantino Nery, que contará na sua programação com uma secção dedicada ao cinema independente. É boa a intenção da Câmara de Matosinhos (a localização, sobretudo, foi muito bem escolhida), mas receio que a despesa que será apresentada aos munícipes pelo funcionamento do Teatro deixe muita gente a questionar-se sobre as prioridades políticas da cidade... A ver vamos. Servirá, ainda assim, para testar a adesão do público ao hábito de ver cinema fora dos centros comerciais o que, por si só, é de louvar.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
A nova Praça do Anjo

Soube-se hoje que o projecto que a Bragaparques apresentou para recuperação da Praça de Lisboa já obteve aprovação definitiva por parte do Igespar, podendo assim avançar a requalificação deste espaço, cedido à empresa pela Câmara do Porto por um prazo de 50 anos. Público
O projecto do Arq. Pedro Balonas prevê que a praça venha a ter uma cobertura ondulada de betão e vidro destinada à prática de "actividade lúdicas" (de certa forma para tentar chamar os skaters, praticantes de bmx, e outros, à semelhança do que acontece na praça da Casa da Música). Prevê também que as fachadas sejam revestidas a vidro de forma a permitir uma maior visibilidade a partir do exterior.
Sabe-se que será cedida uma parte da nova praça à Federação Académica do Porto para que lá possa, finalmente, nascer o Pólo Zero, tão reclamado pelos estudantes, e que será gerido por esta associação. Também a Byblos prevê criar aqui a maior livraria do país, que será a loja âncora deste projecto, situado mesmo em frente à histórica livraria Lello. No topo será ainda construído um restaurante panorâmico voltado em arco para os Clérigos e para a Rua dos Carmelitas, e que contará também com uma esplanada no novo recinto.
Muito foi discutido acerca do concurso público que a Câmara promoveu para cedência do direito de superfície da praça. O consórcio liderado pela Bragaparques foi o único que se mostrou interessado, o que dificultou o trabalho da Câmara ao nível das negociações dos direitos e deveres do concessionário. O próprio vereador do Urbanismo chegou a dizer que esta proposta não reunia as características previstas pela Câmara e que, sendo o caso de concorrente único, esta teria maior dificuldade em fazer valer as suas imposições junto da empresa. Ainda assim, a proposta apresentada cumpria as condições impostas pelo concurso e, depois de duras negociações, lá se chegou a um acordo razoável para ambas as partes (ainda que não o melhor para a Câmara a nível financeiro). Aprovado o projecto de arquitectura pelo Igespar, tudo aponta para que possam finalmente avançar as obras no local, previstas para o ínicio de 2009
Sobre o projecto:
Quanto à arquitectura, a ideia do pavimento ondulado não será nova na cidade, já que, a par da nova praça, existirão com as mesmas características, na altura da sua conclusão, mais dois espaços relativamente próximos: a praça envolvente à Casa da Música e a praça em frente ao Centro Comercial Itália (na rua Júlio Dinis, em adiantado estado de obra). Refere-se na proposta que a praça será uma continuidade natural do Jardim da Cordoaria; porém, pelas imagens do projecto, não se prevê uma única árvore para o local ou qualquer outro tipo de vegetação. Numa fase inicial ainda se pôs a hipótese de espalhar oliveiras pelo espaço em homenagem ao antigo aspecto e nome que aquela zona da cidade tinha, conhecida como Campo do Olival (posteriormente Praça do Anjo e finalmente Praça de Lisboa), mas essa ideia foi prontamente abandonada.
Espera-se que a nova praça seja um ponto de passagem diário de milhares de pessoas, visto estar situada num local de encontro de três importantes fluxos de movimento. São eles provenientes: da Praça da Liberdade/S. Bento através da Rua dos Clérigos; da zona envolvente ao Jardim da Cordoaria, com a Reitoria da UP, o ICBAS e o Hospital de S. António como principais "ímanes" de atracção de população; da parte "alta" da cidade, através das ruas de José Falcão, Galeria de Paris, Cândido dos Reis e Conde de Vizela. Isto apenas durante o dia, já que à noite altera-se esta dinâmica e os principais pólos de actividade concentram-se no Piolho e bares envolventes, na Rua Galeria de Paris e Cândido dos Reis, na Rua de Cedofeita e nas ruas próximas a esta.
A nova praça tem de se estabelecer como o ponto de encontro desta dinâmica para que (principalmente à noite) não corra o risco de voltar a ser rotulada como um espaço "a evitar", com todos os problemas de segurança e degradação física que daí decorrem. O desnível da praça em relação às ruas envolventes, principalmente em relação à Rua dos Carmelitas, pode contribuir muito para isto, sobretudo se não forem abertos canais de ligação amplos e arejados entre a cota da rua e a superfície da praça.
Já quanto aos projectos comerciais para aquele sítio, é de louvar a aposta da Byblos na criação da maior livraria do país. Numa zona que concentra grande parte da actividade livreira na cidade, entre alfarrabistas, livrarias temáticas e livrarias técnicas, faz falta uma grande superfície que sirva como porta de entrada e que publicite a dinâmica que a zona tem neste sector particular. A apresentação da zona dos Clérigos como zona especializada no mercado do livro, será muito mais facilmente divulgada ao grande público com um grande investimento como este à cabeça. Criar-se-á mais uma área "demarcada" de comércio na cidade, como acontece com enorme sucesso na zona envolvente à Rua Miguel Bombarda ou na Rua do Almada (no mercado das galerias de arte e do comércio alternativo respectivamente).
Quanto ao Pólo Zero, uma antiga reinvidicação da FAP, espera-se que seja um projecto gerido pela associação estudantil, no mínimo com originalidade (já que ainda ninguém percebeu para o que é que o espaço servirá exactamente). Pretende-se que sirva como o ponto de encontro dos estudantes universitários do Porto, aliando o estudo à diversão, cultura e desporto. Caberá tudo isso neste espaço? Isso é o que a FAP vai decidir, espera-se que, em harmonia com a estratégia que for sendo seguida para a praça (e para a qual o Pólo Zero também contribuirá decisivamente). Uma das apostas que a FAP poderá considerar, será a organização de concertos de bandas não conhecidas do grande público (ou, por exemplo, um festival de bandas de garagem, tal como já acontece em várias faculdades) no espaço da praça que, pela sua fisionomia ondulada é ideal para a realização destes eventos.
Finalmente, a razão do título deste post. Seria um gesto de reconciliação com a história da e com as tradições orais da cidade por parte da Câmara, que o a praça voltasse a ser chamada pelo nome que tinha quando se tornou num dos principais centros de interesse do Porto. A antiga Praça do Anjo que acolheu o imensamente concorrido mercado do Anjo, passou a chamar-se com o nome da capital quando o mercado perdeu a influência que tinha. O nome "de Lisboa" acompanhou-a durante o período de decadêndia do Clerigushopping até aos dias de hoje, em que se apresenta como uma ferida urbanística no coração da cidade.
A mudança do nome poderia ser até uma boa estratégia de marketing, já que a associação que o público faz com a Praça de Lisboa é sobretudo negativa e relacionada com degradação e vandalismo, e com problemas de insegurança e consumo de drogas.
A relembrar o antiga toponímia da praça estava, até à uns tempos, uma estátua do grande escultor José Rodrigues (em baixo). Foi encontrada totalmente destruída, não à muito tempo; era a única coisa digna de se ver na praça. Actualmente, a Praça de Lisboa é simplesmente lixo e destruição, e uma vergonha para a cidade, nada mais.
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
Um crime
Acontece, que entre estes dois pontos existia um aglomerado urbano com pelo menos alguns séculos de existência e com uma importância histórica, cultural e paisagística incalculável. Este, muito mais que outros atentados contra a cidade, é, ainda hoje, o crime mais abominável praticado contra o património do Porto, pela inavaliabilidade dos seus enormes custos. Deve por isso estar sempre presente na memória das suas gentes.
Imagens:
1 - O que existia, visto a partir da Praça Almeida Garrett. A ligação entre a Sé e a Praça ainda se fazia através da Rua do Corpo da Guarda
2 - O que desapareceu: com a abertura da Avenida da Ponte (figura maior a vermelho); com a abertura do Terreiro da Sé (figura menor a vermelho)
3 - Fase final da demolição do casario junto a S. Bento
4 - Processo de demolição do casario junto à Sé. Incluído no plano de "reestruturação" da zona estava também a abertura de um largo em frente à Sé - actual Terreiro da Sé.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Da cidade
Pensar a cidade é simplesmente fazê-la. Se ela se fez nas ruas, nas vielas, nas travessas, nas.., então eu faço-a aqui.
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